Povos Indígenas
A ocupação das terras do Norte do Piauí não foi ato pacífico. O devassamento foi precedido de violenta campanha contra os índios, para obriga-los à submissão, à convivência pacífica com seus dominadores. Quando essa pacificação era obtida, praticava-se o abuso da escravidão, da exploração sexual das cunhãs e da usurpação das terras.
A resistência dos índios é fato histórico. Se antes se apresentaram dóceis e hospitaleiros, reagiram aos primeiros desrespeitos aos seus valores tribais. Com o passar dos anos, quando já se introduzia no Brasil a prática da escravidão negra, importando-se escravos da África, promoveu-se o elemento índio a feitor, a vigilante de senzalas e a rastejador de negros fugitivos, em cujas tarefas revelaram-se habilíssimos.
A integração do índio na comunidade dos conquistadores teve de passar, portanto por essas etapas; do extermínio tribal, à aculturação via catequese ou submissão servil resultado dessas últimas o cruzamento das raças de que se originou o povo nordestino.Ainda hoje existe preconceito com os indígenas, não só em Piracuruca, onde a população de indígenas é quase que zero, mas em todo o Brasil; não só com os índios, mas os nordestinos em si, que são taxados de pobres e sem ensino, principalmente pela população das regiões sul-sudeste.
O Rio Piracuruca
Considerado por Anísio Brito como a artéria principal do município o rio Piracuruca tem sua origem na vasta cordilheira da Ibiapaba. Dali nasce o Rio Piracuruca, do córrego insignificante denominado São Benedito, perto da progressiva cidade do mesmo nome.
As águas do Piracuruca precipitam-se do alto daquela cordilheira, oferecendo uma bela vista, tomam a princípio o poente, para, ao penetrar nos sertões piauienses, já no município de Piracuruca cortarem-se na direção este a oeste, descrevendo pequenas curvas, a mais notável já quando se avizinha da fazenda Barra, ao desaguar no Longá. Tem, de curso, cerca de 34 léguas, sendo a maior parte dentro do município.
Hoje o rio conta com uma enorme represa construída recentemente que com certeza é uma das maiores do Piauí, essa represa possibilitou que o mesmo ficasse praticamente perene e também tranquilizou a população com relação aos perigos das cheias e das secas, pois a grande barragem funciona como um equilíbrio para dosar a evasão das águas, além de tudo proporcionou a formação de vários balneários para o lazer e também a possibilidade de dar condições à sobrevivência da população que vive da agricultura e da pesca.
O Rio Piracuruca pode ser considerado uma faca de dois gumes, devido à irresponsabilidade da população que mora as margens do rio e da administração pública. Possui seu lado bom, ao oferecer sustento para as pessoas que tiram seu sustento através da pesca; e seu lado ruim, devido às enchentes que acontecem em intervalos de tempo irregulares, a última enchente, ocorrida em 2009 deixou muitas pessoas sem casa, obrigando-as a se deslocarem para escolas enquanto o nível do rio baixava.
Os Irmãos Dantas
Os irmãos portugueses Manuel Dantas Correia e José Dantas Correia são sempre referidos quando se indaga sobre as origens da cidade de Piracuruca; eles foram os construtores da Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo em torno da qual surgiu o povoado que deu origem à vila e à cidade que conserva o nome de Piracuruca. O local onde foi construída a Igreja fica pouco distante da antiquíssima capela da então fazenda "Sítio" onde se faziam os predicamentos da "freguesia" da Piracuruca cuja existência é anterior, talvez, á vinda dos irmãos Dantas. A comprovação desse fato reside na documentação da transferência do Padre José Pereira, ordenada pelo Bispo D. Frei Manoel da Cruz, da então "freguesia da Piracuruca para a de Marvão" e datada de 27 de novembro de 1742.
Foram vários os bens deixados pelos irmãos em favor da manutenção da Igreja de Nossa Senhora do Carmo e ao seu Orago, ou seja, à promoção do seu calendário de festas e venerações.
Igreja de Nossa Senhora do Carmo
É incontestável a importância dos Irmãos Dantas na formação de nossa Cidade, foram praticamente os fundadores que, em meio ao medo de serem devorados pelos índios Tamoios, que segundo historiadores eram carnívoros, desenvolveram a fé que motivaram a criar a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, que é o maior ícone de nossa Cidade.
O imponente templo mede cerca de 39 metros de extensão por 18 metros de largura, e é toda armada, tanto interna como externamente, de elegantes colunatas de pedras lavradas que forma, na entrada um belo peristilo. Constando de três capelas e cinco altares, elegante e artisticamente dispostos, primando pela escultura, pintura e obras de talha notam-se ainda muitos outros objetos custosos e de súbito merecimento artístico e histórico, como a pia batismal, o púlpito, um lavatório de mármore, a lâmpada de prata e outros objetos e parâmetros dignos de elogio.
A Igreja tem sua importância impar para Piracuruca, pois em torno desse suntuoso templo, erguido pela mão poderosa da fé, se foram congregando famílias que edificaram as primeiras casas, constituindo dentro de pouco tempo a próspera povoação de Piracuruca.
É com certeza um dos mais belos e antigos templos do Piauí, sendo que o término de sua construção data do ano de 1743. É uma arquitetura religiosa que apresenta em sua parte frontal linhas barrocas, com cercaduras e ornatos de cantaria de pedra.
Ao longo da história a Igreja tem "acumulado e vivido" todos os fatos pertinentes à cidade de Piracuruca, sendo que no passado foi o mais importante centro religioso da região, prova disso é que somente em 1805, por provisão do Bispo Diocesano do Maranhão, Dom Luiz de Brito Homem criou-se a paróquia de Nossa Senhora da Graça em Parnaíba, sendo seu território desmembrado do de Nossa Senhora do Carmo de Piracuruca da qual até então, capela filial.
Nossa Gloriosa Padroeira, Nossa Senhora do Monte Carmelo, atrai milhares de féis todos os anos em seus festejos de 06 a 16 de julho, muitas, são as pessoas que atingiram graças ao fazer-lhes promessas, muitos se emocionam somente em ver a imagem posicionada ao centro da Igreja, não querendo levar ao foco da matéria a religião, mas, é indiscutível que a marca registrada de nossa cidade é a religiosidade encontrada em Nossa Senhora do Carmo, Padroeira de Piracuruca.
Saber o que aconteceu em nossa terra, como nascemos e como nos desenvolvemos, o que se passou com nossos antepassados é demasiadamente importante, pois, sabendo a História, estamos assegurando o Futuro.
(José Magalhães)
REFERENCIAS: www.piracuruca.com